domingo, 19 de agosto de 2012

Entrevista com o multifacetado Mailson Furtado Viana.





Depois de tanto tempo sem postar confesso que a saudade de vocês é imensa, e a criatividade com tanto cansaço também o é. No entanto, trago-lhes hoje um presente disfarçado de entrevista, que na verdade é a conversa de amigos e escritores que se conheceram em um ônibus rumo à cidade de Fortaleza no ano de 2007. Esse trecho parece os sucos do Chaves eu sei.






Antonio diz:
- Como foi o desenrolar do seu processo literário?

Mailson Furtado diz:
Olha tudo começou com a música por volta dos anos de 2003, 2004,
quando de fato começou a explosão de minha adolescência. Legião Urbana foi minha grande influência.

Antonio diz:
Tinha qual idade essa época?

Mailson Furtado diz:
Doze, treze anos, quando ouvi as letras de Renato Manfredini Jr. (- O Renato Russo), disse para mim mesmo que queria escrever algo do tipo, e de fato comecei a querer escrever músicas, o problema é que não sabia tocar nenhum instrumento e tudo ficava mais difícil de apresentar a alguém. Em 2005 comecei a escrever alguns textos filosóficos bem diferentes do que escrevo atualmente, mas com características de certo modo poéticas, embora fossem em prosa. Era algo bastante amador e meio que como desabafos de adolescente. Justamente nesse período conheci a arte do teatro e entrei pra minha primeira companhia de teatro, ainda em 2005 o grupo veio por findar.
Em 2006 escrevi minha primeira peça, intitulada Loteria 2 2 2, e montei minha companhia teatral através de um projeto do Grêmio estudantil da escola,
o qual fui membro. Muito importante nesse período também foi a minha turma de amigos, haja vista que como a cidade de Varjota é muito pequena e ainda mais uma cidade do interior cearense, era difícil encontrar jovens que gostassem de Rock (Meu ritmo preferido), Filosofia, Política; então tínhamos essa turma e todas as noites, ou a maioria delas nos reuníamos para discutir os mais diversos temas que se possa imaginar. Artes, em si, era o principal tema e talvez por isso eu tenha crescido tanto como artista. Hoje grande parte dos membros da turma citada fazem teatro ou fizeram parte da minha companhia, alguns são poetas, escritores enfim, pessoas de grande intelectualidade (considero), diferentes de outros jovens que infelizmente são alienados e que passam os dias assistindo BBB e outras porcarias.
Um momento importante dessa turma foi um manifesto que fizemos, no ano de 2006, buscando um secretário de cultura pra cidade e um plano de políticas publicas para a juventude, através da cultura e do esporte, isso em plena feira publica da cidade e também em frente à câmara municipal e prefeitura. Manifesto esse, feito todo com apresentações artísticas teatro, dança, roda de violão, roda de samba, roda de capoeira, enfim, foi um grande marco e com dois meses do acontecido o novo secretário estava nomeado, já que o anterior, e um dos motivos do protesto foi que o anterior estava empossado por conta de ligação política e no atual momento trabalhava no Rio de Janeiro como taxista, o que nos levou a grande indignação.
A partir do momento em que fundei a minha companhia comecei a escrever sem parar, escrevia quase sempre algo relacionado ao teatro em si, até por que minha companhia dependia e depende ainda de meus textos. Assim, concebo-o como o primeiro gênero ao qual consegui me destacar. Concomitantemente a isso aqueles textos que eram filosóficos começaram a se transformar em poesia, isso por volta de 2007, já que tinha perdido o "brilho" por escrever musicas, posto que não podia mostrar elas a ninguém, pois não sabia colocar a melodia nelas, aí comecei a escrever poemas e um grande marco que me fez crescer demais nessa vida como poeta foi uma palestra que fui ministrar na Universidade Estadual Vale do Acaraú em 2007, com quinze, dezesseis anos, os professores da disciplina de Literatura Cearense do oitavo e ultimo período do curso de Letras pediram aos seus alunos que trouxessem escritores de suas cidades, já que muitos dos alunos da turma eram de cidades distintas, foi aí que uma aluna de Varjota que eu nem conhecia na época soube do meu trabalho e me convidou, eu não tinha a noção do que seria, mas mesmo assim fui, sabia unicamente que tinha que apresentar o meu trabalho literário, apresentei então todo meu trabalho, fui super aplaudido pela turma inteira e ainda por  professores com título de doutores em letras. Uma frase que um deles me disse me marcou muito: "Pode colocar em seu curriculim, você hoje com 15 anos ministrou aula para dois doutores e para alunos formandos em Letras, na sua idade eu não sabia nem falar direito ainda, parabéns". Isso me motivou de tal forma que a partir daí não parei mais de escrever, principalmente poesia, logo depois daquele período escrevi aqueles dois caderninhos que tu conhece, isso em menos de um ano, mais de 400 poemas, depois não parei mais.
O período entre 2005 e 2007, foi muito produtivo, foram os anos de meu alicerce intelectual. Esse texto aqui, fala um pouco da turma que te falei:
Fotos da turma:




Mailson Furtado diz:
Gostaria de citar um nome importante

Antonio diz:
O espaço é todo seu, fique à vontade.

Mailson Furtado diz:
A pessoa se mencionada chama-se Demis Santana, ele foi, e é o meu pai das artes, foi o cara que me ensinou a não desistir de nada. O Demis é paulista, mas de corrida por todo o nordeste, hoje reside em Maceió, é cordelista, ator, músico e pedagogo, passou 6 meses em Varjota, de julho de 2006 até dezembro de 2006 e foi fundamental para que a companhia se formasse, sendo ainda responsável por nos ajudar no protesto, embora a idéia tenha sido nossa precisávamos da autorização dele e ele disse: “Vocês demoraram a fazer isso”. Enfim, é pai de todos nós que nascíamos para a arte naquele momento.

Antonio diz:
Quais são suas influências?

Mailson Furtado diz:
Bem como te falei a mais gigante de todas chama-se Renato Manfredini Jr., sendo também a primeira de todas. A partir dele vieram as outras, tanto na música, quanto na literatura, como no teatro. Uma grande influência que tenho é de Paulo Leminski com a poesia concreta, sendo Clarice Lispector a minha musa no que diz respeito à prosa, e uma das grandes influências da minha curta carreira em prosa; gosto bastante da simplicidade de Drummond e da docilidade de Cecília nos versos, penso trazer muito deles pra minha escrita, além de Chico Buarque e Patativa.
Na Dramaturgia nunca me inspirei em ninguém pra escrever, tenho um estilo que considero meu, embora cite o gênio Roberto Bolaños como o principal de todos.
Na música, vieram depois Chico Buarque, Beatles,Bob Dylan, Pink Floyd, Queen, isso apesar de gostar muito de Folk, apesar de ser um dos principais estilos que ouço, como ser público me inspiro muito em Lennon, gosto muito da história do Herbert de Sousa, o Betinho, ele me marcou bastante e claro: Cazuza, Raul, Herbert Vianna, Leoni; Além de mestres da cultura nordestina como Luiz Gonzaga, Chico Science, Zé Ramalho, Belchior e Raimundo Fagner.
Como pode ver sou muito ligado a música. Por isso sou tão crítico quanto aos estilos ouvidos por grande parte da população, essas letras pornofônicas,
fico extremamente incomodado, por que foi a partir da musica que cresci como pessoa e tenho certeza que outras pessoas poderiam crescer também. Mas enfim, essa é uma questão muito ampla e que depende de vários fatores, no entanto acredito que o Brasil é o país do Futuro, de um futuro bem próximo, e que estamos começando a desfrutar dessas coisas desse futuro, muito embora não percebamos tanto. Acho que é isso.

Antonio diz:
Eu mesmo vejo o cenário cult crescendo muito nesta última década no Brasil, talvez o compartilhamento que a internet mais acessível tenha trazido, pois hoje é muito fácil e barato se conectar, esteja influenciando nesse processo.
Vamos à próxima pergunta?

Mailson Furtado diz:
Sim.

Antonio diz:
Definir é sempre um ato perigoso meu caro, pois determina algo e o finda em conceitos, no entanto como você define sua poesia?

Mailson Furtado diz:
Instantânea. Essa é a palavra. Sai pelo instante e quando quer sair. Quanto a escola, a que maior influencia é com certeza a Moderna, mas vario bastante. Como pode ver na minha obra há textos introspectos, quadras e por fim concretos, é uma mistura muito grande, embora diga que use muito da simplicidade, mas de fato é algo difícil demais de definir.

Antonio diz:
Primeira obra de cunho literário que leu?

Mailson Furtado diz:
Acho que foi a biografia do John Lennon.

Antonio diz:
Pô cara você está de brincadeira, só falta dizer que o nome do livro é o Jovem Lennon, foi a primeira obra que eu li também.

Mailson Furtado diz: (rindo)
Esse mesmo, mas não tenho certeza que ele foi o primeiro, ou foi ele ou foi a Luneta Mágica do Joaquim Manoel de Macedo.

Antonio diz:
Ótimo livro esse último, já li, viajei muito com ele, não sei por que, mas ele me lembra Kafka.

Mailson Furtado diz:
Já li ele umas 10 vezes, é o q mais gosto do Romantismo, apesar de não gostar tanto da escola.

Antonio diz:
É certo, e digo por experiência própria, que o escritor nunca tem apenas um
livro favorito, então  conte para nós, sedentos de curiosidade seus cinco livros preferidos.

Mailson Furtado diz:
Difícil também, deixa eu pensar aqui; da Clarice, gosto dos contos de Felicidade Cladestina. Um outro livro e que mudou minha vida foi um que li de Augusto Boal, Jogos para atores e não-atores, ele é de teatro, e fala sobre o teatro do Oprimido. Cito ainda a Luneta Mágica e talvez O Cortiço, Agatha Christie também é uma ótima pedida, gosto bastante dela.

Antonio diz:
Você busca agradar alguém com sua literatura?

Mailson Furtado diz:
Nunca pensei nisso, mas de fato preciso da opinião de pessoas que entendam de literatura pra dizer se algo é bom ou ruim, no entanto a primeira coisa que faço é olhar se eu gosto ou não, nunca me preocupei tanto com a crítica, embora ela seja importante.

Antonio diz:
Aproveitando o gancho da pergunta anterior, você também vê as academias literárias (como eu as vejo, não em completude claro), como entes falecidos formados por demagogos, que muitas vezes estão lá por laços de parentesco e/ou econômicos e não pela qualidade do seu texto, até mesmo por que a maioria é uma cópia desmedida que ultrapassa os limites da mimese?

Mailson Furtado diz:
Concordo com você. De fato uma das minhas metas como literato é de ingressar em Academias

Antonio diz:
Minha meta também é essa, mas não por esse meio acima descrito que é repudiável por qualquer um que tenha um mínimo de preocupação artística e social.

Mailson Furtado diz:
Embora não conheça tantas e não tenha pesquisado, sei que dentro delas há dessas questões, até por que a maioria delas foram criadas a partir de um grupo intelectual ou não, formado de amigos, dessa forma, cada instituição possui os seus estatutos e regulamentos que dispõem de modos de ingresso particulares. Muito embora, seja lamentável que existam membros de Academias Literárias que não possuem nem sequer uma obra publicada.

Antonio diz:
Literatura é arte ou literatura é conexão mental de necessidade humana?

Mailson Furtado diz:
Vou defini-la assim: Pro escritor/poeta a literatura é conexão mental de sua necessidade humana, para o leitor é arte, que pode vir a ser conexão também, embora para mim, não haja essa preocupação de se estou fazendo arte ou não.

Antonio diz:
Como eu você concorda que 99% esforço, 1% transpiração, como queria João Cabral de Melo Neto é falácia?

Mailson Furtado diz:
Concordo. Responderei isso com um poema meu.

INSPIRAÇÃO
(Mailson Furtado)

Só por inspiração;
não existia poesia.
Fazendo-se um grande esforço
é que se consegue tudo todo dia.
Pois como o sol,
a mente fica coberta,
e mesmo o sol coberto,
energia lança, aquecendo até o inferno.
Sem grandes obrigações,
não lhe dará preocupações.
Se esperar momento certo,
fosse à certeza da perfeição;
fazer tudo pensando duas vezes,
em certas vezes,
aconteceria um atraso, confusão.
E como tudo em certas vezes
melhor está a situação,
é talvez nesses momentos
que venha a tal da inspiração.
Antonio diz:
A maior parte da literatura nacional hodierna para este que vos fala é uma merda, ou seja, restos do que o corpo não quer e elimina. Entretanto, o importante não é o que eu penso e sim o q você pensa caro escritor. Logo, como você entende o cenário literário brasileiro e principalmente o cearense?

Mailson Furtado diz:
Rapaz esse é um problema, logo o que o público quer ler são coisas que deturpam a inteligência humana, assim vem o papel das editoras, até por que elas não podem sair no prejuízo e assim se interessam apenas por tais "obras" como Surfistinha.
Com certeza temos boas obras publicadas, embora venha a questão cultural nacional de não valorização de tais produções, mas sim de coisas fúteis, como sexo e coisas surreais, as quais não gosto tanto, embora não possua nada contra. Quanto aos escritores, há escritores bons claro, no entanto os que fazem sucesso, os que de fato são best-sellers, são ruins. Também não gosto,
mas é o que o público gosta.

Antonio diz:
O que te perturba atualmente?

Mailson Furtado diz:
Em que sentido?

Antonio diz:
Como pessoa, quanto a questão social, vida pessoal e por aí vai.

Mailson Furtado diz:
Uma das grandes coisas é a questão da não-valorização da arte e cultura na sociedade atual, tida apenas como ente coadjuvante na formação da sociedade, este é um pensamento que não suporto. Essa questão talvez seja a que mais me toque socialmente e como pessoa, até por que estou bastante ligado a essa área.
É incrível a situação: você inicia determinado projeto, o apresenta a várias pessoas, ai quando vai atrás de apoio, seja através do poder público, instituição, o NÃO é a única resposta a ser ouvida, se era pra dá um NÃO, por que veio me dizer que o projeto era fantástico? Como ouvi muitas vezes.

Antonio diz:
Por que as pessoas são hipócritas e não possuem vínculo social altruísta.

Mailson Furtado diz:
Outras coisas como corrupção embora não me pertubem, me incomodam.

Antonio diz:
E o sonho cara, o q você busca nessa vida? Fora ser feliz claro.

Mailson Furtado diz:
Entrar pra História! Deixar meu nome por aí; claro que de forma boa, entrar numa academia de letras, ter minhas obras estudadas, esse é o que tenho, o mesmo do Raul Seixas (risos).
Tenho o sonho de construir meu teatro aqui também, tenho o projeto pronto, contudo isso já entra no outro sonho que é o mais amplo de todos.

Antonio diz:
Por que é tão difícil escrever algo original?

Mailson Furtado diz:
Escrever algo original é difícil por que depende acho do que se convencionou chamar de “dom”. Acredito nisso de uma hora pra outra você é escolhido e cai dos ceús uma ideia na sua cabeça, só o que resta é você montar uma personalidade, ter algo seu sabe?

Antonio diz:
Engraçado, comigo acontece desse mesmo jeito, dá uma coisa sei lá, elevação do espírito como o queria Platão; e você pega uma caneta, detalhe só escrevo com caneta preta, e de repente você está no chão com um caderno, quase em êxtase, parecido com o “nirvana”, e quando termina olha e diz assim: eu que escrevi isso?

Mailson Furtado diz:
Isso aí. “Baixa o Santo" como se diz.

Antonio diz:
Vamos à próxima pergunta.
Como escritor, sei que nossa mente é mais fantasiosa, mais perceptiva ao simples, e que o simples se torna robusto quase colossal. A pergunta é o seguinte, como é sua mente, desenhe-a através de palavras, metáforas, ou do que precisar.

Mailson Furtado diz:
Minha mente é meio gigante demais (risos)

Antonio diz:
Quando você vê uma flor imagina ela brotando e desenhos nas nuvens não parecem degraus onde os deuses sambam?

Mailson Furtado diz:
Pois é, a gente enxerga nas coisas mais simples o que os outros vêem. É o subjetivismo nato que todo poeta possui.

Antonio diz:
Deixa eu te explicar melhor a pergunta, tipo a pergunta é mais uma forma de te pedir pra desenhar isso pra quem não vê dessa forma, uma forma de explicar a vida ao teu modo e também por que poxa, para mim como poeta e ser lúdico, conhecer a mente de outro poeta é a coisa mais linda do mundo.


Mailson Furtado diz:
Tenho uma frase que diz:
O poeta consegue enxergar numa gota d'água um oceano com infindos mistérios a registrar. Fiquei sem palavras aqui (risos). Explicar a vida é meio complicado, às vezes é algo tão grande, e as vezes é tão pequeno, quando estamos só com nós mesmos.
Enfim, a vida depende da gente, afinal somos verdadeiras metamorfoses ambulantes e a vida é simplesmente o desenho que fazemos de todas nossas ações a cada segundo é como um livro embora só possamos escrever um, e ler apenas uma vez, seria isso?

Antonio diz:
É difícil elaborar uma pergunta que contenha o teor do que eu quero, entretanto o que te peço é mais um desenho mesmo de como teu cérebro funciona, tipo quando você vê uma coisa como ela te parece e tal, como as coisas te afetam
com mais intensidade?

Mailson Furtado diz:
Entendo agora, bem, isso depende do momento, do sentimento que temos naquele instante, quando falo disso, lembro sempre de uma laranjeira presente do lado da minha janela do quarto.

Antonio diz:
Tipo “Meu Pé de Laranja Lima”(risos)

Mailson Furtado diz:
Eu a vejo tipo como uma protetora que me assiste enquanto durmo, enquanto vivo por aqui.

Mailson Furtado diz:
É um dos poemas que mais gosto. Sempre me emociono ao ler

Antonio diz:
Cara já pensou se todo mundo que lesse algo visse as coisas como a gente vê? Tipo, eu vi a laranjeira nascendo enquanto lia sabe, vi você correndo ao lado, vi um galho dela te protegendo, tu olhando pela janela e coisa e tal.

Antonio diz:
A vida fica mais linda não é?

Mailson Furado diz:
Claro. Bem mais linda.

Antonio diz:
Fala um pouco sobre o Sortimento – poesias e poemas, metas com ele, dificuldades, processo, o que ele representa pra ti, prêmios, âmbito internacional da tua obra?

Mailson Furtado diz:
Bem, como você sabe ele estava pronto desde 2008, então foi nesse período que comecei a peregrinação por patrocínio. Quatro anos sem obter sucesso com isso, o projeto foi se reformulando e foi ganhando a forma que ficou na sua publicação; por ganhar tantos nãos, tanto de prefeituras, universidades e empresários comecei a acreditar que o que escrevia não era tão bom
como acreditava de inicio, até que recebi um grande incentivo moral de amigos como do também escritor José Luiz Lira (saudoso professor deste que entrevista), e Gilmara farias, escritora varjotense, elogiando meus escritos
e me incentivando a não desistir. Assim em poucos meses consegui juntar a quantia que precisaria para publicação com a ajuda principal de minha namorada Yane Cordeiro e do meu amigo, o vereador Auricélio Bertoldo, assim veio a publicação com uma grande noite de homenagens e tudo mais. Era um sonho! E foi concretizado. Com certeza uma das minhas grandes conquistas
junto de minha companhia de teatro. A Meta inicial era bem mais a realização pessoal, mas com ele, ganhei elogios de pessoas e personalidades de várias instâncias. Publicações em blogs, jornais, imprensa escrita e entrevistas em radio.

Antonio diz:
Teve algo internacional não teve? Publicação em Portugal se não me engano.

Mailson Furtado diz:
Quanto a Portugal não se trata do Sortimento, sempre participo de concursos literários e já consegui algumas publicações em revistas e jornais literários.
A história é a seguinte, em 2010 havia mandado um material para Portugal, para o concurso literário Cancioneiro e em 2012 saiu o resultado, haja vista que o prêmio ocorre de quatro em quatro anos, acontecendo a publicação em uma antologia chamada de Rimar é remar e distribuída a todos os países de língua portuguesa do Mundo, esse que é um concurso organizado pelo Instituto Piaget e Universidade de Almada. Ganhei também com o Sortimento o título de Mérito Cultural de Varjota, expedido pela Prefeitura e Secretaria de Cultura Local. O primeiro a ganhar tal título, fiquei muito feliz por tal prêmio.Meu blog IMPROVISOS, ano passado ficou entre os 100 melhores blogs de cultura do país, segundo o prêmio TOP BLOG, o maior concurso de blogs do país.
Depois da publicação de Sortimento, sempre sou convidado a ministrar palestras em escolas e projetos sociais apresentando as minhas experiências.

Antonio diz:
Impressionante tua carreira, projetos futuros?

Mailson Furtado diz:
Obrigado cara!
Formação em Odontologia em 2014, e na literatura tenho planos de uma obra por ano, até mesmo por que tenho material suficiente para os próximos cinco, seis, sete anos.
O 1º é o CONTO A CONTO, como você sabe, e que já está pronto, no entanto estou no processo de arrecadação de recursos, que sem duvida alguma é a fase mais difícil de todas. Ele é um conjunto de contos e crônicas sendo o meu 1º trabalho em prosa, apresenta os mais diversos temas que falam muito de mim e de minha vida.
- Confira o projeto de captação de recursos:

Para 2014, tenho um segundo livro de poesias, intitulado Auto-discurso, também praticamente pronto com capa e tudo. O Auto-discurso é uma obra muito parecida com o Sortimento, muito embora ele seja mais introspecto e fale mais de mim do que o Sortimento, daí até o nome.
Em 2015 planejo publicar um coletânea de peças, se não uma coletânea, apenas uma chamada COM DINHEIRO NA CABEÇA, NA ALEGRIA OU NA TRISTEZA que foi um espetáculo montado por meu grupo em 2008 e em 2016 virá um dos meus grandes projetos dentro da literatura, que é um projeto histórico que trata sobre as manifestações da cidade de Varjota, desde sua gênese até hodiernamente, esse projeto que já esta em andamento com as pesquisas em campo, é um projeto em parceria com um amigo meu historiador, Erasmo Porta Voz. Nos próximos anos não cheguei a pensar ainda.

Antonio Ximenes diz:
Fala um pouco sobre você como dramaturgo e como compositor?

Mailson Furtado diz:
A maioria de minhas peças, falam de uma ironia ao sistema capitalista
Loteria 2 2 2, Ninguém me ama, somente ela, A riqueza de uma quase madame, Com dinheiro na cabeça, na alegria ou na tristeza.
Tenho formação em princípios básicos de teatro e um currículo de vinte e sete trabalhos, que vão desde esquetes, até espetáculos e curtas. Além de ministrar oficinas vez por outra.
Como compositor vem muito a questão do poeta, que se confunde um pouco; meu estilo é Folk, gosto de um violãozinho. Basicamente isso.




No mais, a MusicariaBarcoteca na figura de Antonio Ximenes Carvalho agradece toda a disponibilidade e o carinho do amigo Mailson Furtado Viana que veio a agraciar-nos com um pouco do seu intelecto e de sua arte numa entrevista ímpar e especialmente plural. Não tenho palavras para expressar o sentimento de gratidão ao meu caro amigo. Lembramos ainda que o livro "Sortimento - poesias e poemas" de Mailson Furtado está a venda, encomendas: mailog10@hotmail.com.

1 comentário

F. Otavio M. Silva disse...

Mailson é um cara ímpar. Bela entrevista.

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